Sem fígado, a gente não vive... - Salève

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Sem fígado, a gente não vive…

Sem fígado, a gente não vive…

Gastroenterologista, especializado em Hepatologia, Marlone Cunha da Silva, hepatologista da Salève, destaca, em sua área, a prevalência relevante da gordura no fígado (esteatose hepática), uma doença silenciosa (não apresenta sintomas) que pode levar à cirrose. “O paciente pode ter alguma manifestação por conta da obesidade, pode ter hipertensão, diabetes, cansaço, mas no fígado especificamente ele não sente nada”, explica.

Segundo ele, que também é membro clínico da equipe de transplantes da Unicamp, as alterações no fígado podem ser descobertas em exames ultrassonográficos ou laboratoriais. “Um terço destes paciente podem evoluir para uma cirrose e depois para até mesmo um câncer de fígado.” O tratamento, segundo ele, é difícil porque muitas pessoas não enxergam na obesidade um fator agressor. “A obesidade leva a diversos processos metabólicos e, no fígado, leva a uma inflamação, que leva à fibrose do órgão, causando a cirrose. Tem o mesmo efeito do álcool no fígado.”

Segundo o hepatologista, há fatores de risco que devem ser observados, mas não existe um programa de rastreamento do problema em função da idade. “O rastreamento deve ser feito a partir dos fatores de risco, ou seja, em paciente obesos, que têm aumento da circunferência abdominal, que têm diabetes há muito tempo, que consomem álcool. Mesmo assim, muitos não procuram o hepatologista por causa destes fatores. Ele normalmente é encaminhado por outro especialista que pode detectar o problema hepático em algum exame. Não há busca espontânea pelo hepatologista.”

Ainda conforme o médico, a Hepatologia vai funcionar como uma ferramenta auxiliar para proteger um órgão específico, no caso o fígado. “Essa doença é sistêmica. A gente precisa ter do lado um bom clínico de outras especialidades para fazer o tratamento.”

O médico informa que existem tratamentos com base em medicamentos que prioritariamente agem na inflamação do órgão. “O nosso foco é diminuir o risco do paciente, ou seja, o tratamento da esteatose hepática é praticamente a modificação do modo de vida do paciente”, esclarece.

A modificação de vida a que o médico se refere passa pelo paciente começar a fazer exercícios, a perder peso, a se alimentar adequadamente com a orientação de um nutricionista. “Um educador físico e mesmo um psicólogo também podem ajudar, assim como um psiquiatra, já que a obesidade pode muitas vezes estar relacionada à ansiedade e depressão, entre outros. Nenhum tratamento medicamentoso conseguiu se mostrar mais eficaz do que a mudança de estilo de vida.”

Ele garante ainda que a doença é reversível desde que o fígado não tenha chegado ao estado de cirrose. “Quando só se tem inflamação e fibrose leve, é possível retirar com a modificação de estilo de vida a gordura que está no fígado e diminuir a inflamação e a fibrose. Só a perda de peso já tem um efeito bastante significativo para a diminuição da gordura.”

O tratamento das doenças adjacentes também é necessário. Cirurgias bariátricas e até mesmo o transplante de fígado são outros recursos para casos mais graves. “O fígado é um órgão estratégico no corpo. Ele participa do metabolismo da maioria das substâncias que ingerimos. Tudo vai passar pelo fígado que filtra muito do que vai para a circulação sistêmica. Sem fígado, a gente não vive…”.

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